Quarta-feira, Abril 04, 2012

"Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles."

Estado de temor


Não adianta querer mudar o rio

Se a nascente continua a mesma

E não importa o tempo que levar

As águas sempre vão chegar ao mar


Não adianta nascer na burguesia

Pois pra má índole não tem educação

Só aprimoram os desejos mais insanos

Que por ventura irão leva-lo ao chão.


Há um abutre faminto dentro de cada um

E não adianta mostrar espantalhos

Que acuados não nos lembramos de etiqueta

Pois para as cruzes que nascem no chão não há colheita.


Astaroth com seus dois pares de asas

E sua beleza descomunal

Pousa sobre a casa dos horrores

O mês de agosto chega mais uma vez


O príncipe retorna como haviam profetizado

Para ceifar mais uma vez as vidas impuras

Agora cada parte do meu corpo estremece

Parece ser este o fim que o velho me contara as escuras.


Será o dia da minha desencarnação

De um sacrifício e do fim das histórias

Quem poderá continuar relatando

O que aqui dentro estará acontecendo.


Digo por mim.

Orem por nós.



David Edison Julião Saragosa

Sábado, Março 24, 2012

"A Chave Menor de Salomão, é dividido em cinco partes..." Você sabe me dizer quais são?

Estado de desolação


Eu observei toda a noite passar
Ouvi os primeiros sons dos pássaros
Os últimos ruídos dos grilos
Desliguei as luzes que me iluminavam

Senti o aroma verde da manhã
Os raios quentes do nascer do sol
As últimas brisas frias da madrugada
E pude sentar ao seu lado para chorar

As noites sombrias da casa dos horrores
Não se comparam ao silencio doloroso
Nem à solidão que passei esta noite ao teu lado
Quiçá passa-la com os olhos fechados

Minha mão sobreposta a sua
Um gelado angustiante que aprecia meu tato
Sua face ainda doce, menos ávida.
Um pouco menos vermelha e um pouco mais cor de rosa

Um ritual cujo propósito eu não posso revelar
Um dever de todos os membros
Um único destino e vários caminhos
Uma dor que será passada adiante

Mal se foi e já sinto tanta saudade
Ainda posso vê-la e tocá-la
Mas esse sentimento será o último
Pois é nosso dever esquecer e enterrar

Halphas com sua voz marcante
Veio devorar o que meu coração sentia
Tal corvo que é por sentimentos e sentidos
Levou-me embora a felicidade e deixou afasia

Então dormirei sem afago, sem tumulto.
Quem sabe ao certo qual será meu sonho
Talvez uma fábula breve como a vida
Ou uma arriscada escapada da morte.


David Edison Julião Saragosa

Quarta-feira, Agosto 31, 2011

"As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude. São heranças, são motivos pras mudanças de atitude...Hey mãe! Alguma coisa ficou pra trás..."


O cheiro das rosas



Ao anoitecer uma brisa suave invadiu meu quarto


Trazendo uma lembrança querida de muitos anos


Então sonhei com uma pessoa que há muito partira


E dentro deste sonho aprendi a enfeitar as palavras.



Quando acordei meu quarto estava frio


E um som, distante, de passos lentos, eu ouvi.


Fiquei parado imaginando quão grandioso seria


Um encontro inesperado de um amor do passado.



Ao abrir a porta de meu quarto


Avistei pela janela da sala uma moça


Vestida de rosa com laços frutuosos nas mãos


Que me olhava diretamente nos olhos com delicadeza



Aproximei-me, mas sua face não me trazia recordações.


Ao tentar tocar em seus laços, a moça distinta desapareceu.


Fiquei parado por alguns instantes pensando


Então chorei até a última lágrima do meu coração.



Quanto mais eu tentava recordar


Mais fracas ficavam minhas lembranças


Então quando tentei retornar ao meu estado normal


A moça voltara a aparecer com uma face enfeitada



Eu entendi quem era e eu me recordo de você


Quanto tempo esperou para vir me visitar


Enquanto o tempo todo meu desejo era lhe ver


Após tantos anos eu quase me esquecera do seu olhar.



De repente acordo, fico assustado, calado.


Foi tudo um sonho ou será que ainda continuo sonhando?


Percebo que a fragrância doce fora embora


Mas continuo ouvindo os seus passos lá fora.




David Edison Julião Saragosa


Quinta-feira, Agosto 25, 2011

"Amigos, companheiros, irmãos... Essa é pra vocês..."


Paisagem de areia



Amigo, eu te encontrei na praia hoje


O dia é mais azul quando o sol está, vermelho


Os sons daquelas notas que ressoam em meu ouvido


Trás de novo as lembranças que um dia eu vi no espelho.



O papo não nos leva a nada


E o nada é uma curva tão próxima


Que quando nos encontramos do outro lado


Está na hora de virar de novo.



Se as claras ideias não nos permitem entender


O que diriam às escuras sem um sol ao entardecer?


Nossos reflexos moldados na areia


São tão frágeis quanto um barco de papel.



O cheiro das madeiras que nos moldam


Fazem claras escuras sensações


Ao tocar num simples sussurro da vida


Recriamos a natureza morta, dando outra chance.



Um violão para resfriar a mente


Alguns acordes tão conhecidos por nós mesmos


Uma ou outra pitada de sorte


É muito mais que um simples sorriso a esmo.



Para aliviar a tensão de nem sempre nos encontrarmos


Fiz uma paisagem grandiosa de areia


E espero que as águas do mar das quais nós fugimos


Não apague o que aqui dentro me incendeia.




David Edison Julião Saragosa

Quinta-feira, Julho 14, 2011

"Com a aprovação da minha amiga Adaiana, resolvi colocar este texto que há muito escrevi." Abraço enorme para você...


Se amor fosse


Se sorriso fosse

Aquilo que tens guardado

Seria tão arrepiante o ver manchado

Pelas pétalas de rosa murcha

De um buquê desabrochado.


Se sorriso fosse

O que eu diria de um dia perfeito

Com a grama cortada e o sol radiante

Se ofuscado ficasse pelas doces fases da lua

Em noites açucaradas, caminhando pela rua.


Se sorriso fosse

Uma gota perfumada de orvalho

Com plantas ávidas e vermelhas

E abelhas produzindo seu mel alaranjado

E o veneno marrom que, onde toca, deixa manchado.


Se lágrima fosse

Um coração pararia de bater

Um vaga-lume pararia de voar

E um amor acabaria por envelhecer

Pois o meu riso só é sorriso com você.


David Edison Julião Saragosa

Sexta-feira, Março 11, 2011

"Alvorada lá no morro que beleza, ninguém chora não há tristeza, ninguém sente dissabor." O rei CARTOLA

O abrir das asas


A liberdade é a permissão desenfreada

É um ar mais puro, uma fruta mais doce.

A liberdade é passiva e aceitável

Perigosa e maleável.


Libertos do amor estão os desalmados

Libertos da raiva estão os imortais

Estamos presos à presença da liberdade

Pois nada é tão complexo, quanto os desiguais.


Libertar-se é sorrir na despedida

É não deixar abater-se diante da morte

É aplaudir quando lhe falta sorte

E, por que não, chorar ao se conquistar.


Liberdade, palavra triste.

Aos mortos libertos dessa vida

Aos moribundos em um beco sem saída

Às correntes que lhe saciam a fome.


Ninguém a possui

Todos a almejam

Muitos viram passar

Outros morrem sem provar.



David Edison Julião Saragosa

Segunda-feira, Janeiro 17, 2011

"Já procuraram o que é poesia em um dicionário? E viver? Procurem."

Vivo poesia


Vivo procurando a poesia

Mas de onde ela vem?

Será que estou no lugar errado?

Vivo procurando a poesia


Estando com a poesia eu viajei

Contos e fábulas eu interpretei

Com ela me despedi da terra

Estando com a poesia eu viajei


Respirando poesia estarei

Em cada pedra que escorregarei

A cada passo sem rumo

Respirando poesia estarei


Mas onde esta você poesia?

Será uma pessoa que há muito não vejo

Sinto-me presente à doce melodia

Mas onde esta você poesia?


Sinto que às vezes posso tocar a poesia

Falta-me apenas um sussurro

Mais um pequeno impulso de agonia

Sinto que às vezes posso tocar a poesia


Imploro por apenas uma luz, poesia.

Um sinal de fumaça de qualquer cor

Uma chance para provar do teu amor

Imploro por apenas uma luz.



David Edison Julião Saragosa

Sábado, Dezembro 04, 2010

"Mais um da série, espero que alguem esteja acompanhando..."


Estado de aflição



O encanto do desespero sussurra frio

Como um afeto para com o feto num quarto sombrio

Escoltado por cortinas tecidas com estranho fio

Afaga a alma, mas prolifera um enorme vazio.


Ao cair da noite na casa dos horrores

Escadas escondem o rufar dos tambores

Uma luz acesa no sobre piso sem cores

Atordoa até o mais frio dos senhores


O ritual começa sem a presença mais importante

A vítima parecia jovem com sua beleza estonteante

Em seu peito escorre, vermelho, uma adaga brilhante.

A oração foi feita e todos calados por um instante


O fim não chega quando estamos assustados

Nem a noite passa quando nos sentimos encurralados

A felicidade não voltará para os envolvidos

Assim como a vida não sorrirá nem falará em nossos ouvidos


Aaba chorou sangue por vários dias

Até ser levada a sala de redenção

Não ver mais o sangue, era uma de suas alegrias

Aos que foram poupados restou à aflição.


Nosso julgamento adiado por mais um ano

Nosso dever cumprido mais uma vez

Nossa tradição honrada sem ponderar

Nossa culpa imposta jamais vai acabar.


David Edison Julião Saragosa

Domingo, Julho 04, 2010

"Todos os pequenos homens só se tornam grandes ao partir."

Doação


Abraço o céu
Mas me fogem as estrelas
Abraço o mar
Mas me fogem os corais
Abraço a terra
Mas me fogem as paisagens
Abraço o ar
Mas o fôlego me foge
Abraço as pessoas
Mas me fogem os deuses

Cortei meus braços
Transformei-me em estrela
Cortei as minhas pernas
Transformei-me em coral
Arranquei meu coração
Transformei-o em paisagem
Arranquei meus pulmões
Transformei-os em esperança
Morri sozinho
Transformei-me em um deus.


David Edison Julião Saragosa

Quinta-feira, Abril 15, 2010

"Gostei tanto do que está escrito no blog do meu amigo RyAn, que resolvi escrever... Olhem o meu comentário..."

Somente com você



Eu sou dez

Consigo ser uma letra e um número natural

Eu sou a base do sistema decimal

Retiro dois e nos veremos no final.


Eu sou oito

Sou dois números primos somados

Sou apenas mais um dois ao cubo

Então retiro dois e me descubro.


Eu sou seis

Sou um número perfeito como vocês

A teoria dos seis graus de separação

Vou retirar dois e fugir da explicação.


Eu sou quatro

Sou o primeiro número composto, então vou sorrir.

Não, vou chorar, no Japão eles acham que eu dou azar.

Então para encontrar a sorte, em dois, vou me dividir.


Eu sou dois

O primeiro número primo e o único primo par

O que mais eu poderia querer?

Mas na verdade, para ser dois, eu preciso de você.



David Edison Julião Saragosa

Quinta-feira, Abril 08, 2010

"Sonhando acordado como meu amigo Felippy Matos..."

Acordes Julieta


Existe um lugar na cidade
Reservado aos amantes
E a todos aqueles que sonham amar
Este lugar se chama paraíso
Um paraíso que criei para poder te levar.

Hoje estou aqui, cantando.
Tentando convencer uma bela dama
De que o mundo se apresenta agora
A partir dos primeiros acordes
Muitos, na cidade, dormem.

Acorde, Julieta, veja o mundo que criei.
Estou mostrando o que demorei em criar
Estes acordes são para você
Este lugar existe e está na sua frente
Dentro do meu coração.

Agora que encontrei uma luz você poderá me ver
Olhe os sonhos mais lindos e sinta-os
Um som agradável que toca seus ouvidos
É a canção do lugar do amor
É o lugar onde me refugio para esquecer de chorar.

Julieta, não é a toa que os sinos pararam.
Já passa da meia noite e você ainda não me ouviu
As pessoas vão saindo aos poucos
Espero que não tenham uma má impressão
Nós não somos loucos.

-Suba as escadas, Romeu.
-Pare de tentar me convencer
-Estava aqui o tempo todo, te ouvindo.
-Não precisa convencer um coração
-Quando, para ti, já está sorrindo.

David Edison Julião Saragosa

Terça-feira, Abril 06, 2010

"Depois de ouvir o Elvis... resolvi escrever um pouco..." "Cante um pouco"

O que você gostaria de ser?


O que você gostaria de ser?
Um pequeno dente que insiste em doer
Ou um gigante marfim que além de lindo custa caro
O que você acha melhor?

O que você gostaria de ser?
Uma brasa que aos poucos se apaga
Ou uma intensa e insaciável fogueira ardente
Tem alguma idéia de como queimaria?

Então deixe as pequenas coisas de lado
E dance um pouco, dance um pouco.
Vibre um pouco, vibre um pouco.
Dance um pouco, vibre um pouco que sua alma será grande.

O que você gostaria de ser?
Um pequeno vaso onde cabem apenas cinco botões de rosa
Ou um imenso jardim para as mais variadas flores e frutos
Onde você acha que o ar é mais puro?

O que você gostaria de ser?
Um pequeno balde cheio de restrições e deveres
Ou um oceano que despreza as ordens e os limites
Onde você se sentiria livre?

Então deixe os problemas e aproveite o pouco tempo
E cante um pouco, cante um pouco.
Grite um pouco, grite um pouco.
Cante um pouco, grite um pouco até sua alma sair pela boca.

O que você gostaria de ser?
É aquilo que você realmente é?

David Edison Julião Saragosa

Quinta-feira, Abril 01, 2010

"Recebi uma visita do meu pai... O meu Pai"

Uma brisa de ideias


Durante muito tempo fiquei engolindo lama
E nunca fiz nada, nunca tentei.
Agora nossas vidas mudaram
Estamos em uma sintonia vibrante com a vida.

Controlo a minha ilusão num ponto aceitável
O maluco que antes habitava meu coração
Segue aquilo que eu desejava
E eu, bem eu adoro ser o que eu nunca queria.

Nunca queria casar
Não sonhava em crescer
Odiava meus descendentes
Não suportava ordens

A vida até agora não meu deu muitas opções
Mas hoje sinto que posso me libertar
E liberto estou
E liberto eu vejo tudo diferente

Prefiro criar uma vaca e ter leite para beber
Do que comer o capim, engordar e ser destratado.
Prefiro esperar a chuva encher os rios e tomar banho
Do que fazer uma tempestade em um copo d’água.

Também não sou besta pra querer mudar o mundo
Mas acho que com um assopro, posso empurrar muitos barcos.
E muitos barcos fazem muitas ondas em muitos mares
E uma onda perfeita, aí sim, pode inundar um mundo inteiro.

David Edison Julião Saragosa

Domingo, Março 14, 2010

"Alguém aí sabe quem foi, ou ainda é, Belial ???"

Estado de possessão


Ao bater das asas do anjo negro
Uma luz de cada vez se apaga
O ar fica cada vez mais frio
E seu olhar me parece tão sombrio

A casa dos horrores foi aberta
Os espíritos que lá habitam se acordam
Passos silenciosos adentram lentos
Posso até ouvir os seus lamentos

Outra reunião foi convocada
Mais uma vida será sacrificada
Outro jogo para a decisão
Ouço moedas caindo no chão

Todos decididos apontam seus dedos
Para uma alma que ainda respira
Seu nome é Belial, o que não presta.
Em Apocalipse chega a ser chamado de “a besta”

Suas mãos pregadas e dispostas à parede
Um símbolo antigo cravado em seu peito
Uma adaga de prata para espantar a escuridão
Seu sangue derramado tinge todo o porão

Orações e rituais são oferecidos
Nossos corpos ficam puros
Nossos espíritos perdoados
E nossos corações cada vez mais apertados


David Edison Julião Saragosa

Segunda-feira, Março 01, 2010

"O primeiro de uma série, aguardem..." "Alguém sabe o que é porfirias???"

Estado de meia-vida


Meia noite em ponto
Facas afiadas
A moeda gira, gira, gira e para.
Torcemos pela coroa, mas deu cara.

Meia noite e um minuto
Decidido foi
Marcados para morrer ao puro acaso da sorte
Esta noite, mais uma vez, nos encontramos com a morte.

Meia noite e cinco minutos
Um ar sombrio cobre nossos ombros
Mas o destino não dá trégua e nem erra
Uma faca de cada vez, em sua carne se encerra.

Meia noite e trinta minutos
O sangue ainda corre vermelho queimado
As pupilas dilatadas não brilham mais
A sua vida, neste instante se desfaz.

Meia noite e cinqüenta minutos
A tristeza me persegue
A casa dos horrores está manchada mais uma vez
E dessa vez, um parente tão próximo velarei.

Uma hora em ponto
Um dia mágico que começou fúnebre
Todos aliviados, a hora do julgamento se adia.
Pelo menos, mais um ano. Pelo menos, mais um dia.

David Edison Julião Saragosa

Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010

"Não tem sonho nenhum, ele nada espera. Por isso nem repara na manha do poeta." CAZUZA

Mais

Ao ver uma luz que tão distante brilhava
Estava acordado ou talvez só sonhava
Não pensei na vida e nem me lembrei da morte
Fujo quieto do amor antes que ele acorde.

Não precisava sonhar eu só queria viver
Todos os momentos juntos eu, comigo e você.
Andava a noite pelas lindas estradas da vida
E chegava num ponto onde não tinha saída.

Agora essa luz que há muito tempo cegava
Acordou um coração que há muito não amava
Obcecado e iludido neste incrível sonho
Ando sorrindo e ofuscando o meu eu mais tristonho.

Seu gesto enfureceu uma fome sadia
E suas palavras completaram minha mente vazia.
Seu futuro está escondido por um covarde véu
E minha vida carece de muitas Gotas-de-mel.

David Edison Julião Saragosa

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

"Enquanto ainda durmo..."

Ainda Sonho


O tempo vai passando lentamente
Aos poucos percebemos a nossa relação
Com a vida, com o próximo e com a perda.
Como a tinta que descola da parede

Foram dias de alegria
Mas passaram de forma tão rápida
Foram dias de euforia
Hoje, me lembro de uma forma mais lúcida.

Ainda sonho com nossos pesadelos
Que ainda fazem parte de nossas vidas

Hoje a quilômetros de distância
Pareço estar mais perto de você
E quando perto, parecemos apenas um ser.
As palavras e as ideias não são criadas, elas nascem por si só.

Hoje me olho no espelho e sinto que aqui estou
Parado apenas em frente ao espelho
Gostaria muito de ver o futuro novamente
Ao invés, vejo o que ficou para trás.

Ainda sonho com nossos pesadelos
Que ainda fazem parte de nossas vidas

Dê a mão para mim, mesmo tão longe.
Não olhe apenas para onde os olhos conseguem enxergar
Tente ver uma luz mais forte que este sol que nos cega
Só assim poderemos chegar ao nosso lugar.

David Edison Julião Saragosa

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

"Vamos acumular riqueza, nossa missão...Desculpe, mas sou a favor da igualdade"

Capitalismo


Caminho conforme os ladrilhos são dispostos à minha frente
Tudo que vejo é desenhado por mãos corruptas e hábeis
O que saboreio tem o mesmo cheiro de tudo que vejo
Sou fruto da mesma árvore onde apodreceram meus avós.

Somos empurrados por uma massa sem sombra que aos poucos toma forma
Bombas de histórias e idéias descartáveis
Sistemas de ensino recicláveis
Figurinhas ilustrativas que adoramos em ordens que cumprimos.

Somente faço o que me deixam fazer
Olho, somente para onde me deixam olhar.
Apenas caminho por caminhos já traçados
Embora ninguém nunca veja e nem acredite nisso.

Já está em nossas veias, um veneno inoculado gradativamente.
Nosso elo que não nos deixa agir livremente
E incapaz de perceber tal loucura
Aceitamos cada dia como forma única de sobrevivência.

David Edison Julião Saragosa

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

"Um sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só." Raul

Um sonho que sonhei junto


A vida é um momento curto
E muito simples
Vamos aproveitar o que nela há de melhor
Como as viagens que fazemos
Em um domingo ensolarado
Ou um filme que nos prendem na cadeira
Num sábado de chuva.

Vivo este momento único
Como se antes nunca tivesse vivido
E se vivido foi
Não há espaço na memória que eu tenho guardado
Vou vivendo como uma onda
Que insiste em bater, salgada, nas pedras.
Pois quando parar de bater em meu peito
Estarei acabado.

Se eu bebo
Se eu fumo
Ou se eu caio na rua num dia de sol
É por que eu quero e vivo para querer viver
Como achar melhor
Ao soar os sinos dos anjos, me levarão como estiver portado.
E não como me portei a vida toda
Pois tenho aquilo que foi dado para todos ao nascer
O livre arbítrio para viver como quiser viver.

David Edison Julião Saragosa

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

"Eu conheço bem a fonte que desce daquele monte, nessa fonte está escondida o segredo dessa vida."

Sei que a morte não podia ser mais bela


Uma faca afiada desce escorregando à garganta
Ferindo os sonhos que ainda viriam me iluminar
E chega aos prantos do meu coração o fazendo calar
Com toda a audácia de quem a colocou em seu lugar.

Ao fundo escuto uma gargalhada sem graça
Fazendo-me pensar no que eu deveria pensar
Mas qual o motivo de pensar quando já não se respira?
Quando já não circula o sangue em meu corpo.

Vou ficando pálido e menos triste
Minhas unhas parecem perder a vida
Meus dedos parecem estar frios
Meu corpo não mais transpira.

Sinto um enorme vazio
Já que minha alma está sendo retirada aos poucos
Em breves sussurros de vida a vejo
Não querendo sair assim tão repentinamente.

O que fazer? Se, o tempo, não faz curvas.
Não posso voltar ao estado normal
Não quero sofrer novamente
Só sinto um arrepio que invade meu corpo.

O que fiz para a morte querer me buscar tão cedo?
Será que são as noites em claro que me vejo passando?
Podem ser as namoradas que sempre deixei sofrer
Ou até mesmo as sogras que eu não deixei me ver.

São tantos os porquês que temos numa hora tão delicada
Que nenhuma resposta é sincera e clara
Nenhum laço é tão forte que não se rompa
E nada é capaz de conformar quem nos ama.

Sei que meus cabelos vão continuar crescendo
Minhas idéias continuarão mudando parte do futuro
Meus olhos guardarão eternamente a imagem do meu assassino
E meu caixão apodrecerá aos poucos conforme o tempo vai passando.

David Edison Julião Saragosa

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

"Tanta coisa acontece no meu coração"

Escalada


_______________Feita por muitos.
______________Nesta escalada
_____________Parecendo colocar-me em evidência
____________Posso ver o sol que ilumina minha luta.
___________Ao longe
__________Nas veredas estreitas desta infinita obsessão
_________E minhas pernas
________Vou apoiando meus braços

______Sussurro do meu coração.
_____O mais límpido e frágil
____Ao ritmo das notas que ressonam
___Por estas paredes sem fronteiras
__Vou subindo

David Edison Julião Saragosa